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Outubro/2006 - Werner Herzog Editar

Um dos principais e mais influentes cineastas do Novo Cinema Alemão, Werner Herzog construiu uma obra de grande vitalidade e singularidade, conhecida principalmente por seus filmes realizados nas décadas de 70 e 80. Obliterada por suas obras ficcionais de maturidade (facilmente encontráveis nas locadoras de BH) estão suas obras iniciais e sua vasta filmografia documental, de semelhante contundência e de uma enorme inventividade, que o coloca como um dos principais documentaristas das ultimas décadas. São estes filmes injustamente pouco conhecidos é que serão contemplados na mostra dedicada ao diretor no Cineclube Subterrâneos.

06/10/2006 - “Herakles”, “Última Palavra” e “Sinais de Vida”, de Werner Herzog Editar

Na primeira sessão, seus primeiros filmes. Em "Herakles" e "Última Palavra", seus primeiros curtas, já se percebe a indefinição entre a narrativa ficcional e documental que estará presente em boa parte dos seus filmes documentários posteriores, assim como traços do tom irônico e algo surreal diante de seus personagens como em alguns dos seus primeiros longas.

Em seu primeiro longa-metragem, "Sinais de Vida", tem-se a historia de um soldado alemão deslocado na segunda guerra mundial para uma região mediterrânea onde não há o menor sinal de combates bélicos. Entediado cada vez mais com a sua situação e por não agüentar mais seguir as regras superiores, rebela-se loucamente contra todos que o suportam e lhe opõem. O tema fundamental de praticamente todos os filmes de Herzog aparece de forma clara aqui: incapazes de compreender ou de suportar os padrões sociais e os códigos de convivência, os personagens herzogianos se engrandecem na luta contra estes limites impostos e os limites naturais, atingindo assim algo indefinido entre a transcendência, a genialidade e a loucura. Loucura apenas para a nossa visão reconciliada com o mundo, é necessário dizer.

  • “Herakles” (“Idem”, Alemanha, 1962). 12 min. Direção e roteiro: Werner Herzog.
  • “Última Palavra” (“Letzte Worte”, Alemanha, 1968). 13 min. Direção e roteiro: Werner Herzog.
  • “Sinais de Vida” (“Lebenszeichen”, Alemanha/Grécia, 1968). 91 min. Direção e roteiro: Werner Herzog. Com: Peter Brogle, Wolfgang Reichmann, Athina Zacharopoulou e Wolfgang Stumpf.

Total: 1h 56min

20/10/2006 –“Até os Anões Começaram Pequenos”, de Werner Herzog Editar

Não reconciliados são também os anões de "Até os Anões Começaram Pequenos", que se revoltam contra sua situação de prisioneiros e organizam um motim. Porém, aos poucos, percebe-se que a violência, a depravação e a injustiça partem tanto dos opressores quanto dos oprimidos. Com um forte tom grotesco, de recusa com a condescendência, garantido pelas atuações de um elenco formado apenas por atores anões amadores, este é um dos filmes mais perturbadores da carreira de Herzog, pontuada pelo pessimismo.

Após ser preso e torturado pelo governo camaronês ao ser confundido com um soldado mercenário nas filmagens de "Fata Morgana", Herzog faz o seu filme mais conhecido: Aguirre, Cólera dos Deuses.

  • “Até os Anões Começaram Pequenos” (“Auch Zwerge haben klein angefangen”, Alemanha, 1970). 96 min. Direção e roteiro: Werner Herzog. Com: Helmut Doring, Gerd Gickel, Paul Glauer e Pepi Hermine

Total: 1h 36min

27/10/2006 –“O Grande Êxtase do Entalhador Steiner” e “Lição nas Trevas” de Werner Herzog Editar

A sua veia documental e seu mote ficcional acabam por se encontrar no filme seguinte, "O Grande Êxtase do Entalhador Steiner". Walter Steiner é o recordista mundial de saltos de esqui e um herói legitimamente herzoguiano: solitário, obcecado e sempre desafiando os limites. Neste curto filme, ele quebra o seu próprio recorde algumas vezes, enquanto seus adversários nem chegam a desafiá-lo. Enquanto o publico e a organização do evento exigem que ele aumente ainda mais a sua marca, ele teme que os seus próprios saltos o levem a morte. Estes saltos (maravilhosamente registrados) talvez representem a qualidade transcendente de todos os filmes de Herzog: numa ação sobre-humana de seus personagens, eleva-se a materialidade ate o místico. A construção do mito fica por conta do diretor. O mesmo tom etéreo e de sonho transcendente no tempo e espaço esta presente na bela trilha sonora produzida pelo grupo Popol Vuh, que eleva este filme a condição de obra-prima.

Em seguida, Herzog fez os seus principais filmes, trabalhando com dois homens completamente distintos, que se assemelhavam apenas na não adequação aos padrões sociais: Bruno S., um ex-interno de instituições psiquiátricas e não-ator, com quem fez "O Enigma de Kaspar Hauser" e "Stroszek", e Klaus Kinski, um dos maiores atores do pós-guerra e doido de jogar pedra (ver o documentário "Meu Melhor Inimigo", do próprio Herzog, sobre a conturbada relação entre os dois), com quem fez o já citado "Aguirre" e mais "Nosferatu", "Woyzeck" e "Fitzcarraldo". A grandeza dos personagens interpretados por estes acaba sempre em fins patéticos e fúteis, mas que se mostram sempre como eufóricas e puras rebeliões diante do status quo. Neste meio tempo, também filmou "Coração de Cristal", em que trabalhou apenas com atores hipnotizados.

Nos anos 80 e 90 a carreira de Herzog se torna bastante irregular, mas não ausente de grandes obras. A principal delas é "Lição nas Trevas". De volta ao deserto, Herzog observa a destruição de poços de petróleo na primeira Guerra do Golfo. A partir daí cria um ensaio livre e visualmente exuberante em que põe em choque o fascinante e macabro das guerras, assim como o desejo de destruição dos homens. A paisagem em chamas se torna uma evocação do apocalipse, sem que se retire o seu eterno mistério, e as musicas de Mahler e Wagner inseridas na trilha do filme o transforma num réquiem pela destruição, Num tempo sem história, num espaço sem lugar, transcorre este filme, que nos coloca a seguinte questão: não seriam estas belas imagens da destruição, imorais? Cabe ver, antes de responder.

  • “O Grande Êxtase do Entalhador Steiner” (“Die Große Ekstase des Bildschnitzers Steiner, Alemanha, 1974). 45 min. Direção e Roteiro: Werner Herzog. Com: Walter Steiner, Werner Herzog.
  • “Lição nas Trevas” (“Lektionen in Finsternis, França/Reino Unido/Alemanha, 1992). 50 min Direção e Roteiro: Werner Herzog. Com: Werner Herzog

Total: 1h 35min