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Henry Beyle, mas conhecido como Stendhal, nasceu em Grenoble, França em 1783 e morreu em Paris em 1842, foi o autor de uma obra que intriga até hoje. O Vermelho e o Negro trata da vontade de um jovem em alcançar, mesmo oriundo de uma família simples de carpinteiros, uma vida imponente e gloriosa. Seu protagonista Julien Sorel parte então para uma vida ambígua em todos os sentidos, tanto no profissional, seguindo a carreira das armas e a eclesiástica, se envolvendo tanto na burguesia provinciana quanto nos ciclos da aristocracia parisiense e quanto na romântica.

Julien é facilmente apaixonante, seus envolvimentos com mulheres durante a trama se resumem à umas poucas senhoras da alta classe parisiense, onde Julien as utiliza para alcançar sua grande ambição. Mas essa ambição é um tanto quanto frustrante pois ele não passa de um mero pobre dotado de grande inteligência no meio de uma aristocracia pedante e alienada com relação ao mundo à sua volta. Na época que o romance foi escrito, a França passava por uma transformação profunda nos costumes franceses, derivada da revolução francesa, consulado, o império napoleônico e a restauração. Julien era um fervoroso defensor de Napoleão, algo que não era visto com bons olhos por alguns desses aristocratas.

A obra é baseada num apanhado de fatos reais e traços da personalidade do próprio autor. Ele mesmo dizia que sua caneta era o espelho da sociedade à sua volta, e ele se sentia incapaz de criar algo completamente fictício. O dilema de Julien e seu trágico destino foi inspirado num evento real, ocorrido em Grenoble: condenado pelo assassinato de uma ex-amante, cometido no interior de uma igreja, um seminarista de 26 anos, Antoine Berthet, foi executado na guilhotina em fevereiro de 1828 .

Julien desperta tanto ódio pelos leitores quando uma admiração. Afinal de contas ele era apenas uma pessoa que se sentia usada pelas altas rodas parisienses, devido à sua memória e conhecimento. Ele se rebela ao perceber que toda a sua capacidade era desperdiçada ao se fazer passar por secretário de pessoas que, se vivessem na época áurea de Napoleão, seriam apenas servos. A luta de Julien em conquistar seu espaço, custe o que custar e se justificando em suas investidas amorosas levam esta obra ao patamar de uma das mais importantes do século XIX.

Julien se sentia usado de todas as maneiras, mas no fim , ele não aceita ser uma pessoa amada, e suas amantes provam de todas as maneiras que ele é querido, mesmo ele mantendo a sua convicção que a aristocracia não tem interesses maiores do que em seu próprio umbigo. Julien acaba por abraçar o seu orgulho e não se curvar perante tudo aquilo que ele mais odiava.

Relançado pela editora Cosac & Naify, uma das melhores editoras nacionais hoje em dia, essa nova edição ainda conta com o prefácio de Tarsília do Amaral e o posfácio de Heinrich Mann.

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