FANDOM


“La Societé du spectacle” (França, 1973) e “Réfutation de tous les jugements, tant élogieux qu’hostiles, qui ont été jusqu’ici portés sur le film ‘La Société du spectacle’” de Guy Debord (França, 1975)Editar

Um Auto-elogio do ideólogo de 68

Não gostar de um filme não é dizer que ele seja completamente dispensável, ao menos neste caso específico. Acho que “La Societé du spectacle” é um filme que deve ser visto, ao menos por sua importância histórica. Ele possui seus bons momentos, vale dizer, mas, como a obra escrita de Guy Debord, estes trechos mais interessantes devem ser garimpados em uma torrente de informações desnecessárias ou extremamente datadas. Datadas, sim, e neste caso muito especificamente datadas: este é um filme de maio e 68, e não esconde o ser (mesmo que tenha sido feito 5 anos depois). Em “Refutátion...”, aliás, curta-complemento do filme lançado dois anos depois, sua pertinência e historicidade é abordada, com uma dose considerável de auto-promoção.

Pois bem, se quisermos resumir em uma frase, “La Societé du spectacle” é uma versão cinematográfica do livro homônimo lançado em 1967 também por Guy Debord. Uma crítica eloqüente contra o capitalismo consumista e o socialismo burocrático da época, que de certa forma fundamentou os movimentos sociais revolucionários de esquerda anti-stalinista no fim dos anos 60 (e afirma tê-lo feito). Consiste simplesmente em trechos do livro recitados pelo autor ilustrado por imagens diversas – trechos de filmes (como Johnny Guitar, de Nicholas Ray), propagandas de cigarro, cenas de guerra, filmes de propaganda oficiais, alguma “stock footage”, etc. – que tomam um tom sarcástico quando tiradas de seu contexto e colocadas em paralelo com o texto grandiloqüente de Debord. Um filme-ensaio, talvez em sua forma mais pura.

Mas a fórmula torna-se rapidamente cansativa e repetitiva. É impossível prestar atenção em tudo que está sendo dito e ainda concentrar-se nas imagens, de modo que, no fim das contas, muito do conteúdo se perde no amadorismo e radicalismo estético do filme. Fora isso, das idéias que é possível guardar do filme, muito pode ser contestado: é fácil ver como ele é demasiado acusatório, sem apresentar alternativas políticas viáveis (reativo, diria Nietzsche); além disso, o autor parece reunir sobre o rótulo de “espetáculo” atos e idéias díspares, de modo que o conceito fica muito difuso, ambíguo, pouco válido. Mas se está aqui para fazer uma crítica do filme, e não uma resposta teórica ao livro.

Em “Refutátion...” Debord ataca amantes e críticos de seu filme, argumentando que sua obra não foi feita para nenhum daqueles que o atacaram (ou que o elogiaram por sua “raiva lírica”), mas para um certo grupo de pessoas que compartilham de suas idéias revolucionárias. Creio que temos aí um ponto nevral. A impressão – confirmada por essas palavras do autor – é de que estes filmes não passam de uma peça masturbatória, a ser apreciada apenas por aqueles que com ela já concordam, e que para todos os outros serve apenas como soco no estômago, como ataque quase irresponsável. De que adianta fazer um filme – sobretudo um filme político – direcionado apenas para seus pares, e que não pretende mudar as idéias de quem o assiste? Assistindo a “La Societé du spectacle” e a “Refutátion...”, essa pergunta fica sem resposta.

Refrator | Cinema

Interferência de bloqueador de anúncios detectada!


A Wikia é um site grátis que ganha dinheiro com publicidade. Nós temos uma experiência modificada para leitores usando bloqueadores de anúncios

A Wikia não é acessível se você fez outras modificações. Remova o bloqueador de anúncios personalizado para que a página carregue como esperado.