FANDOM


"Apocalypse Now Redux" de Francis Ford Coppola (EUA, 1979/2001)Editar

A grande diferença entre Apocalypse Now Redux e sua versão menor e mais antiga não é o tempo de projeção, mas o espaço de desenvolvimento da história. Isso quer dizer que os 53 minutos que foram acrescentados à fita (ou melhor: devolvidos, já que o filme só foi cortado por Coppola em 1979 por motivos comerciais) não funcionam como simples encheção de lingüíça para assaltar os bolsos de fãs de filmes cult. Muito pelo contrário: as diversas cenas inéditas dão maior profundidade e sentido ao enredo.

Capitão Willard, de início, já se mostra como um homem profundamente perturbado, e as novas situações enfrentadas por ele, ao subir o Rio Nung (como a impagável cena das Playmates presas no helicóptero-bordel) possibilitam a (ou ao menos ajudam na) interpretação do filme como um estranho road movie de guerra. A subida pelo rio agora não se apresenta mais como "caminho até Coronel Kurtz", mas como a própria razão-de-ser do filme. O caminho pelo qual segue o barco de Chef e seus tripulantes é uma metáfora para a perda gradual da sanidade daqueles que ingressam na guerra. Cada parada é um passo em direção à perda dos limites, à loucura, e, assim, as figuras dos locais vão paulatinamente tornando-se mais bizarras, partindo do encontro com Kilgore e seus soldados surfistas e culminando com a histeria dolorida do genial personagem anônimo na trincheira ao lado da ponte de Do Lung.

Ao chegar ao seu destino, o personagem de Martin Sheen (e os espectadores) se deparam com novas questões, que, apesar de partirem do conflito guerra/loucura, vão além deste. A ineficiência e falsidade dos senhores de guerra e do próprio sistema que permite tais conflitos; a sensação de ser seguido e adorado incondicionalmente -- de ser Deus e Rei; A aceitação da morte apenas após ser compreendido por alguém; a necessidade do cumprimento do dever; etc.

Claro que o filme pode ser observado de uma forma mais simples, porém, com algum esforço, Apocalypse Now Redux pode render ainda mais interpretações e questionamentos que sua versão anterior. O prazer de se ver um filme completo, que não só possui um enredo impecável, mas também fotografia, direção e atuações de chorar se apresenta aqui em sua plenitude.

Refrator | Cinema